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Arroz Doce e Canela

Arroz Doce, trata-se de um Blog com o objectivo de ser lido, tal como todos os outros... Mas o que distingue este mero espaço cibernético dos restantes é basicamente o facto do autor ser um bocado, digamos... esquisito... Mas que gosta de vós!!

Algumas Pegadas

Olá. Hoje escrevo com o objetivo de me refugiar, não só do frio que me vai gelado o sangue mas igualmente da minha cabeça que decidiu encher-se de pensamentos de todo o meu caminho, caminho este que já teve inúmeras formas, desde uma simples linha reta, um círculo interminável, ondulações algo turvas e outras vezes simplesmente assumiu-se como labirinto. A vida é certamente algo inconstante e rebelde.

Neste começo de natalícia, o espírito de partilha apoderou-se de mim, talvez seja culpa das ruas iluminadas ou da predominância dos tons vermelhos nas montras, o Natal é sempre uma época de reflexão, todos os valores nele incutido pairam no ar e vive-se uma época de paz física, digo física pois a pobre cabeça não tem descanso. Desta forma irei contar-te um pouco da minha caminhada.

"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido." - Fernando Pessoa

Gosto da minha vida. Não mentirei. Posso não ser alguém que prova constantemente o sabor do sucesso, aliás, a acidez da derrota já nem me consegue corroer e dessa forma, vou deixando o meu queixo num ponto alto que permita ver o meu trilho. A vida gosta de pregar as suas partidas, existe sempre um pedra que nos vai fazer tropeçar, estou ciente disso, já tive lições mais do que suficientes para entender isso e felizmente fui aprendendo.

Eu tenho emoções, consigo ser uma pessoa emotiva, às vezes fico pasmado por não me conseguir controlar, isso por vezes foi o meu grande defeito, pois não consegui definir um objetivo, não fui sereno. Nisto posso já afirmar, nunca devemos ser emotivos na totalidade, pois as emoções podem tornar algo um valor pessoal e o que nos é querido, pode ser uma cicatriz futura. O meu grande exemplo para tal trata-se de uma daquelas histórias lamechas onde um adolescente descobre um pouco do "amor", a minha cegueira era tal que nem me deixou se quer precaver, caminhava a passos largos numa ponte estreita, por cima de um abismo. Um simples desinteresse por mim causava-me um grande estrago, o tempo veio assim ditar um estranho desenlace, não sei se fui atraiçoado, mas senti-me traído, mesmo sem ter certeza, por algo que nunca chegou a existir...

Já observei o poder da fama como elemento corrupto naqueles que me acompanham, pessoas que outrora já pude guarda-los na gaveta da amizade que se tornaram repulsivas, como uns bons anos não fossem tempo suficiente para se manter uma boa amizade, afastaram-se de mim pensando que não os estava a ver. Dessa forma consegui logo ver o quão estragada fica a humanidade, quando se procura popularidade.

O insucesso não está à parte de mim, já tinha contado eu sei, mas nunca deixa de ser frustrante quando leio os livros do meu passado e vejo algo em que tanto me dediquei, cada treino sempre pingando gotas de suor e nunca ser visto como alguém prestável para aquele que decidia a equipa, mesmo quando cá fora ninguém percebia o porquê de não estar o miúdo em campo. Custa, mas felizmente já não me pesa.

Hoje sou um indivíduo mudado, diria até experiente, mesmo não tendo idade para dizer isso, creio que posso dizê-lo com toda a certeza. De certa forma, posso agradecer por todos os que me vincaram dobras permanentes como numa folha de papel, pois tornaram-me em quem sou hoje, mais liberto e consciente de tudo, a minha caminhada vai seguindo, sei que estou no sentido certo e que todos aqueles que ainda me acompanham são um tesouro que devo proteger com a minha vida. No meio de toda esta mixórdia, gostaria de terminar citando uma célebre frase de Lavoisier, "nada se perde, tudo se transforma", eu já me vi como um caso perdido, mas na verdade nunca estamos perdidos, às vezes basta só mudarmos de faixa, tudo depende de nós próprios.

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